Nesta quarta-feira (18), o programa Diálogo discutiu o preocupante aumento de 195% nas denúncias de abuso e exploração sexual infantil no Brasil nos últimos quatro anos. Participaram do debate a deputada estadual e presidente da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Dani Portela, a delegada Vilaneida Aguiar, e a psicóloga Camila Negreiros.
Dani Portela destacou que mais de 70% dos casos de abuso acontecem dentro das residências, e os agressores, em sua maioria, são pessoas próximas à vítima — aquelas que deveriam protegê-la. A deputada enfatizou a necessidade de vigilância não apenas fora de casa, mas principalmente dentro dos lares. Ela reforçou a importância do diálogo constante com as crianças, para que elas se sintam seguras em relatar qualquer situação anormal. Portela também chamou a atenção para o fato de que muitos desses casos resultam em gravidez, e ressaltou que o Estado precisa garantir um acolhimento mais efetivo às vítimas. É fundamental proteger quem foi violentado.
A delegada Vilaneida Aguiar apresentou dados recentes do Atlas da Violência, que apontam cerca de 84 mil casos de estupro de vulnerável no país, com grande parte dos crimes cometidos por membros da própria família. Ela compartilhou experiências vividas em sua atuação profissional e destacou a importância de construir uma relação de confiança com crianças e adolescentes. Segundo ela, é essencial conversar abertamente, pois muitas vezes a criança não compreende o que está acontecendo. As palestras lúdicas são uma ferramenta eficaz para orientação.
A psicóloga Camila Negreiros alertou para o aumento do risco durante festas e períodos de aglomeração. Segundo ela, esses momentos podem facilitar a ação de agressores. É preciso que os responsáveis estejam ainda mais atentos nessas ocasiões. Camila também destacou as consequências profundas do abuso sexual na infância, como dificuldades escolares, alterações no comportamento e rejeição a familiares. Por fim, reforçou a importância de os cuidadores ouvirem com atenção e darem credibilidade aos relatos das crianças.





