Expansão universitária, competições regionais e talentos como Frederico Maradei e Bárbara Lamonier reforçam a consolidação do esporte no país
O cheerleading — modalidade que combina acrobacias, ginástica, dança e performances de alta precisão — vive hoje seu momento mais promissor no Brasil. O país registra um crescimento acelerado no número de equipes universitárias e independentes, maior participação em competições internacionais e o surgimento de atletas que vêm quebrando barreiras em um esporte historicamente dominado pelos Estados Unidos.
Esse movimento de expansão não se limita ao Sudeste, berço de muitos times brasileiros: o Nordeste desponta como uma nova potência. Estados como Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte já reúnem equipes competitivas, festivais próprios e atletas que começam a chamar atenção no cenário nacional.
Um dos marcos recentes é o Cheer Beach Fest, realizado em João Pessoa/PB — o primeiro campeonato voltado especificamente para as regiões Norte e Nordeste. O evento reuniu equipes universitárias e independentes em um ambiente de estímulo, visibilidade e democratização da modalidade. Uma nova edição está programada para acontecer em Salvador, na Bahia. Iniciativas como essa têm fortalecido a base local e revelado novos talentos.
Universidades federais também têm impulsionado o esporte. A Elite Cheer UFPE e atletas da UFRN, por exemplo, já participam de competições como o JUBs Atléticas, reforçando o protagonismo nordestino.
Talentos brasileiros brilham no exterior
O avanço no Brasil está diretamente ligado ao desempenho de atletas que ganharam o mundo. Entre eles, Frederico Maradei, campeão mundial em 2024 pela The California All Stars – Rangers, um dos mais prestigiados clubes do planeta. Radicado na Califórnia e ex-capitão da Westcliff University, Frederico se tornou uma referência técnica de brasileiros em busca de bolsas atléticas nos EUA.
“Muitos brasileiros estão enxergando no cheerleading uma oportunidade real de construir uma carreira acadêmica e esportiva nos Estados Unidos. É um caminho que exige dedicação, mas pode transformar vidas”, destaca o atleta e treinador.
Outra figura que simboliza o impacto brasileiro no esporte é Bárbara Fernandes Lamonier, mineira que se tornou um dos principais destaques femininos do cheerleading brasileiro e do mundo. Aos 28 anos, ela foi campeã mundial em 2024, eleita All American em 2025 — título inédito para uma brasileira — e acumula conquistas como atleta.
(Foto: Divulgação)
Recentemente, Bárbara recebeu em Orlando, na Flórida, o PRÊMIO TUDO PARA BRASILEIROS HARD ROCK – UNIVERSAL ORLANDO EDITION 2025, que homenageia brasileiros de destaque nos Estados Unidos.
“Receber esse prêmio representa muito mais do que uma conquista pessoal. É o reconhecimento de uma jornada que começou em uma equipe universitária no Brasil e que hoje inspira outros jovens atletas”, afirma Bárbara, que mantém projetos de formação técnica no país.
Um esporte que se profissionaliza e lança oportunidades
Além de sua carga performática, o cheerleading tem aberto portas reais para jovens brasileiros. Universidades norte-americanas oferecem bolsas robustas para atletas, gerando mais oportunidade para quem se dedica ao esporte. A combinação entre formação acadêmica e alta performance vem atraindo estudantes de todo o país — inclusive do Nordeste.
Frederico e Bárbara são exemplos desse caminho: ambos começaram em equipes universitárias brasileiras, migraram para os Estados Unidos com bolsas esportivas e hoje retribuem ao esporte como inspiração para outros atletas, contribuindo para o crescimento técnico da modalidade no Brasil.
Com novas equipes surgindo, eventos regionais ganhando força e atletas brasileiros alcançando feitos inéditos no exterior, o cheerleading vive uma consolidação inédita no país. O Nordeste, antes periférico nesse universo, agora participa ativamente da construção desse novo capítulo.






