Entidades de apostas recorrem ao STF contra proibição das bets no Brasil
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Entidades de apostas recorrem ao STF contra proibição das bets no Brasil

Entidades de apostas recorrem ao STF contra proibição das bets no Brasil

Associações pedem suspensão da medida provisória assinada por Lula e alegam falta de urgência, insegurança jurídica e risco de crescimento do mercado ilegal

 

A Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável acionaram o Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira (28), para tentar barrar a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu, de forma imediata, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de bets e cassinos online no Brasil.

No pedido, as entidades afirmam que a medida foi editada sem comprovação de urgência. As associações também lembram que o próprio governo federal enviou ao Congresso o projeto que deu origem ao marco regulatório do setor, aprovado em 2023, quando destacou possíveis ganhos econômicos com a legalização das apostas.

A ANJL e o IBJR querem que o STF suspenda integralmente os efeitos da medida provisória até que o Congresso analise o texto em definitivo ou até que ações sobre o tema sejam julgadas pela Corte. Com isso, ficariam mantidas as regras anteriores e o funcionamento das empresas já autorizadas.

A proibição das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, foi anunciada por Lula na sexta-feira (25), às vésperas do primeiro turno das eleições. A decisão também alcança jogos online e cassinos virtuais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”.

Além da medida provisória, o presidente enviou ao Congresso um projeto de lei para criar punições contra quem explorar, operar ou divulgar bets e cassinos virtuais. Ao anunciar as medidas, Lula citou o endividamento de famílias e casos de vício em jogos de azar.

O pedido das entidades foi direcionado ao ministro Luiz Fux, relator de ações sobre o tema no Supremo. As associações alegam que a suspensão repentina das atividades afeta a segurança jurídica das empresas que atuam legalmente no setor.

Segundo as operadoras, foram feitos investimentos elevados para cumprir as exigências do mercado regulado. Elas citam o pagamento de taxas de outorga, no valor de R$ 30 milhões por licença, além da criação de reservas financeiras e do atendimento a regras de conformidade e governança definidas pelo Executivo.

As entidades também questionam a ausência de estimativa de impacto financeiro e orçamentário da medida. Segundo elas, não foram apresentados estudos técnicos sobre os efeitos da interrupção na arrecadação de impostos, no financiamento de políticas públicas nas áreas de esporte, turismo e seguridade social, nem nos empregos formais ligados ao setor.

Outro argumento apresentado ao STF é o risco de migração de apostadores para plataformas clandestinas. A ANJL e o IBJR afirmam que o mercado ilegal já representa uma parcela relevante das apostas no país e pode crescer com a proibição das empresas autorizadas.

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Fonte:
Redação TV Nova
Foto:
Reprodução