Incêndio destrói prédio da UFPE e causa prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões
Fogo atingiu prédio que abrigava laboratórios e espaços de pesquisa na noite desta quarta-feira (7), na Cidade Universitária, no Recife; este foi o terceiro incêndio registrado na universidade em uma semana.
Por Victória Campos
Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, no Recife. O imóvel abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. Segundo o reitor da universidade, Alfredo Gomes, o prejuízo com equipamentos já é estimado em mais de R$ 100 milhões.
O prédio também guardava amostras e materiais de pesquisas científicas acumuladas ao longo de pelo menos 20 anos. Entre os estudos estavam pesquisas relacionadas a câncer de pâncreas, obesidade e chikungunya.
Imagens feitas por testemunhas mostram o momento em que as chamas começaram no andar superior do prédio. O fogo teve início por volta das 19h e se alastrou rapidamente.
De acordo com a UFPE, os tipos de produtos armazenados no local contribuíram para a rápida propagação das chamas. O Corpo de Bombeiros atuou durante toda a madrugada e encerrou o trabalho por volta das 5h desta quinta-feira (8).
Segundo os bombeiros, o incêndio ficou restrito à estrutura do prédio e os imóveis vizinhos não foram danificados. Não houve feridos.
Casa do Estudante foi atingida pela fumaça
O incêndio também assustou universitários que moram na Casa do Estudante, localizada nas proximidades. Segundo relatos, a fumaça entrou nas residências e houve orientação para que os moradores deixassem o local por medo de intoxicação.
Imagens aéreas feitas na manhã desta quinta-feira mostram a destruição provocada pelo fogo no interior do prédio.
A Polícia Federal e a Defesa Civil do Recife estiveram no local. A PF ouviu testemunhas e realizou vistorias. Um inquérito será instaurado para apurar as circunstâncias e as causas do incêndio.
Pesquisas foram perdidas
O incêndio destruiu projetos e pesquisas desenvolvidos durante anos. Eduardo, de 22 anos, mestrando em Ciências da Computação, lamentou a perda do projeto que desenvolvia havia dois anos.
“Eu lembro de perder noites de sono. São dois anos de pesquisa que não vão conseguir recuperar o resultado”, afirmou.
Segundo o reitor Alfredo Gomes, o prédio passava por manutenção periodicamente. Ele afirmou ainda que havia um gestor predial responsável pelo espaço, que se reportava à Superintendência de Infraestrutura.
O levantamento inicial dos prejuízos foi realizado nesta quinta-feira (8), após uma reunião da universidade com equipes dos diversos laboratórios que funcionavam no prédio.
Terceiro incêndio em uma semana
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana.
No dia 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido por um incêndio. Segundo a universidade, a suspeita é de que as chamas tenham começado em uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias.
No domingo (4), outro incêndio foi registrado no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nos dois casos, ninguém ficou ferido.
Prints mostram supostas ameaças
Em meio às investigações sobre os incêndios, prints que circulam nas redes sociais mostram supostas ameaças contra estudantes e a universidade.
As imagens seriam de conversas em grupos de mensagens e fazem referência a atos políticos realizados ou previstos na UFPE. Em uma das mensagens, um participante escreve: “Tenho bombas na mala do carro”.
A autenticidade e a autoria das mensagens ainda precisam ser confirmadas pelas autoridades.
Estudantes pedem que o incêndio seja investigado. Para Luiz Henrique, estudante de Filosofia, a apuração é necessária para evitar o que classificou como “obscurantismo”.
Atividades acadêmicas foram mantidas
Apesar do incêndio, o reitor Alfredo Gomes confirmou a manutenção das atividades acadêmicas nesta quinta-feira (8). A Expo UFPE 2026 também foi mantida.
A universidade informou que entrou em contato com os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para buscar formas de contornar os danos provocados pelo incêndio.







