O programa Diálogo desta sexta-feira (14) discutiu os direitos das mulheres, as leis e a conscientização no combate à violência de gênero. Participaram da discussão Walkiria Alves, diretora de Enfrentamento à Violência de Gênero da Secretaria da Mulher de Pernambuco, Jéssica Ramos, delegada adjunta da Delegacia da Mulher do Recife, e Maria Júlia Leonel, advogada criminalista.
Walkiria destacou que, apesar dos avanços já conquistados e das constantes melhorias, ainda é necessário avançar em diversas áreas. Ela ressaltou que a representatividade nos espaços de poder e a garantia da liberdade de ir e vir com segurança são questões que ainda demandam atenção. Segundo ela, a violência contra a mulher é um problema estrutural, enraizado na responsabilização da mulher pela violência que sofre. Além disso, acrescentou que o grupo mais vulnerável a diferentes formas de violência é o das mulheres pobres e negras.
Jéssica, por sua vez, ressaltou que a violência é um processo sistêmico e cultural, e que a sociedade ainda está em evolução no que diz respeito à prevenção de crimes. Ela alertou para a necessidade de interromper o ciclo no qual muitos homens se sentem à vontade para cometer atos violentos, sejam físicos, psicológicos, emocionais ou outros. A delegada também compartilhou exemplos de casos em que as vítimas acabam perdoando seus agressores, o que dificulta o trabalho da justiça. Nesse contexto, é fundamental romper com a mentalidade de vergonha e culpa que muitas vítimas carregam nessas situações.
Maria Júlia chamou a atenção para o fato de que muitas mulheres não conseguem identificar que estão em um ciclo de violência. Ela também destacou que, apesar da existência de diversas políticas públicas, essas ainda são ineficazes para garantir a segurança das mulheres. Além disso, afirmou que não existe um perfil único para quem comete violência, refletindo sobre como o corpo da mulher é socialmente induzido a ser dócil e controlado.