ONG Gestos oferece testagem gratuita e alerta para prevenção e diagnóstico precoce da sífilis o ano inteiro
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ONG Gestos oferece testagem gratuita e alerta para prevenção e diagnóstico precoce da sífilis o ano inteiro

A campanha Outubro Verde, de conscientização sobre a sífilis, entra em seus últimos dias, mas a ONG Gestos — Soropositividade, Comunicação e Gênero alerta sobre a necessidade, durante o ano inteiro, de testagem, prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção — que pode ser assintomática e, por isso, negligenciada. Os dados mostram que a doença continua sendo um grande desafio de saúde pública no Brasil e no mundo, mesmo tendo cura.

 

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum que pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios, podendo inclusive ser silenciosa. Ou seja, a pessoa pode ter sífilis e não saber. Os sinais e sintomas surgem e desaparecem, mas a doença continua no corpo e, sem tratamento, pode evoluir para complicações.

 

A sífilis pode se apresentar por meio de ferida única no local da infecção (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele) ou manchas no corpo. Se não tratada de forma adequada, pode causar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e até neurológicas, levando à morte.

 

A ONG Gestos, que atua há 32 anos na defesa dos direitos humanos, com foco em educação sexual e direitos sexuais e reprodutivos, oferece gratuitamente serviço de aconselhamento e testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C para jovens. A Gestos fica na Rua dos Médicis, 68, no bairro da Boa Vista, centro do Recife. Os agendamentos podem ser feito pelo (81) 3421-7670 ou (81) 9 8709-3999 (Zap)

 

Há três tipos de sífilis: sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita. A primeira (adquirida) é transmitida através de relação sexual vaginal, anal ou oral sem camisinha. A segunda ocorre no período da gestação e pode levar a consequências graves, como abortamento, prematuridade, manifestações congênitas e morte do bebê. Já a terceira (congênita) é quando a infecção não tratada ou tratada de forma inadequada é passada da mãe para o feto, seja ainda na barriga ou no parto.

 

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde, a transmissão vertical da doença (da mãe para o bebê) recuou, mas a sífilis adquirida segue em crescimento, sobretudo entre pessoas com mais de 40 anos, embora a epidemia ainda seja mais presente entre os jovens.

 

Entre 2021 e 2022, no país, a taxa subiu de 76,8 para 98,8 casos por 100 mil habitantes na faixa etária de 40 a 49 anos, e de 50,6 para 67,6 por 100 mil entre quem tem 50 anos ou mais.

 

Em Pernambuco, os casos de sífilis adquirida passaram de 9.429, em 2023, para 10.304, em 2024, um crescimento de 9,28%.

 

Foram registrados 256.830 casos de sífilis adquirida no país, em 2024, resultando em uma taxa de detecção de 120,8 casos por 100.000 habitantes.  Também foram registrados 89.724 casos de sífilis em gestantes, com uma taxa de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos.

 

Apesar da redução recente no número de casos e óbitos, a sífilis congênita permanece como um dos principais desafios de saúde no Brasil. Em 2024, foram diagnosticados e notificados 24.443 casos, com taxa de incidência de 9,6 por 1.000 nascidos vivos, e 183 óbitos.

 

Segundo cita o boletim do Ministério da Saúde, com base na Organização Mundial de Saúde (OMS), “o crescimento da sífilis tem sido relacionado a múltiplos fatores, entre os quais a baixa percepção de risco, o limitado conhecimento sobre a doença por parte da população e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, ao diagnóstico e ao tratamento, além do estigma que ainda envolve as ISTs, o que pode afastar as pessoas da busca por cuidado oportuno”.

 

Entre 2010 e 30 de junho de 2025, o Brasil registrou 1.902.301 casos de sífilis adquirida. A taxa de detecção da doença mostrou uma tendência de crescimento ao longo de quase toda a série histórica, com exceção de 2020, provavelmente por conta da pandemia de covid-19.

 

ESTÁGIOS E SINTOMAS

Sífilis primária — Uma ferida, geralmente única, que aparece no local de entrada da bactéria, (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele) entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é conhecida como “cancro duro”, ela não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

 

Por apresentar uma grande quantidade do Treponema pallidum, a infecção tem alta transmissibilidade nessa fase. Após alguns dias, o cancro duro desaparece sozinho, independente de tratamento. Porém, isso não significa que houve cura.

 

Sífilis secundária — Caracterizadas por manchas no corpo que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Essas lesões possuem grande quantidade de bactérias e, portanto, quando em contanto possuem alta transmissibilidade.

 

Pode ocorrer febre e mal-estar, além de dor de cabeça e ínguas pelo corpo. Assim como o cancro duro, essas lesões desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, com a falsa impressão de cura.

 

Sífilis terciária — Quando surgem, entre um e 40 anos após o início da infecção, lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

 

Sífilis latente (fase assintomática) — Não aparecem sinais ou sintomas. É dividida em latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Mais informações:
Fonte:
da Redação
Foto:
ONG Gestos/divulgação