Chico Science ganha mural de 25 metros no Recife Antigo em homenagem aos 60 anos de nascimento
Obra ocupa a lateral de um edifício de oito andares e celebra o legado do Manguebeat; inauguração reuniu familiares e músicos da Nação Zumbi
da redação
A imagem de Chico Science agora ocupa um espaço de destaque na paisagem do Recife Antigo. Um mural de 25 metros de altura, equivalente a cerca de oito andares, foi inaugurado nesta sexta-feira (23), em homenagem ao cantor e compositor pernambucano, que completaria 60 anos em 2026.
A pintura fica na esquina da Rua da Guia com a Avenida Barbosa Lima, ao lado do hotel Motto by Hilton, no Bairro do Recife. A obra recebeu o nome de “Chila, Relê, Domilindró” e foi produzida pelo artista visual recifense Arem.
O trabalho reúne elementos da natureza e da tecnologia, duas referências presentes no universo musical de Chico Science. A composição foi inspirada em uma fotografia de Fred Jordão e utiliza cores fortes e formas geométricas para representar a identidade do movimento Manguebeat.
O título foi retirado de palavras utilizadas por Chico na música “Cidadão do Mundo”, gravada com a Nação Zumbi. A partir dessa referência, Arem dividiu a criação em três temas: fauna, flora e tecnologia.
Segundo o artista, a proposta também é destacar a consciência de classe, assunto presente nas composições do músico, e levar essa reflexão para o espaço público.
Homenagem reúne familiares e integrantes da Nação Zumbi
A inauguração contou com a presença de Louise França, filha de Chico Science, além dos músicos Dengue, Toca Ogan e Maestro Mateus, integrantes da Nação Zumbi.
Também participaram os artistas Cannibal e Roger, ligados ao movimento Manguebeat.
O prefeito do Recife, Victor Marques, acompanhou a entrega do painel e destacou a importância da homenagem para a memória cultural da cidade.
Segundo ele, a inauguração também celebra os 30 anos do álbum Afrociberdelia, lançado em 1996 e considerado um dos principais trabalhos de Chico Science & Nação Zumbi.
O novo painel é o 13º megamural realizado pela Prefeitura do Recife. A iniciativa faz parte do projeto Recife Cidade da Música, desenvolvido pelo Gabinete de Inovação Urbana.
A pintura contou com a colaboração dos artistas André Nomes, Charles 2D, Joana Darck e Yone Ceres, além da produção executiva de Carol Pires.
Para o chefe do Gabinete de Inovação Urbana, Ed Ruas, colocar a imagem de Chico Science em uma área de grande circulação também é uma forma de apresentar sua trajetória às gerações mais jovens.

Legado do Manguebeat
A homenagem acontece em um ano que marca três décadas do lançamento de Afrociberdelia e 35 anos dos primeiros passos do Manguebeat.
O movimento musical surgiu no Recife e ganhou projeção ao misturar ritmos tradicionais pernambucanos, como o maracatu, com rock, hip hop e música eletrônica.
Chico Science foi um dos principais nomes dessa transformação cultural. Ao lado da Nação Zumbi, levou a música produzida em Pernambuco para apresentações no Brasil e no exterior, incluindo palcos europeus e norte-americanos.
Roteiro turístico percorre lugares ligados ao músico
Além do novo mural, moradores e turistas podem conhecer outros espaços relacionados à trajetória de Chico Science por meio de um roteiro cultural no Centro do Recife.
O passeio, chamado “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, faz parte do programa Olha! Recife e foi idealizado por Manu Rodrigues.
O percurso começa na Praça do Arsenal e inclui a Rua da Moeda, onde fica a estátua de Chico Science, produzida pelo artista Demétrio Albuquerque.
O roteiro também passa pelo Marco Zero, pelo Cais da Alfândega e pelo Pátio de São Pedro, onde funciona o Memorial Chico Science.
A caminhada termina no Mercado de São José, espaço ligado à tradição dos instrumentos de percussão utilizados no maracatu.
O passeio pode ser feito por conta própria, sem necessidade de agendamento, e reúne pontos importantes da história musical e cultural da capital pernambucana.








