TSE cobra explicações de Meta e X sobre possível favorecimento a Flávio Bolsonaro nas redes sociais
Campanha de Lula denuncia tratamento desigual nas plataformas digitais e pede investigação sobre uso de inteligência artificial e propaganda eleitoral
da redação
A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, a Justiça Eleitoral quer esclarecimentos sobre o funcionamento das redes sociais durante a campanha. A Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, e a plataforma X terão 24 horas para explicar como seus sistemas distribuem conteúdos políticos e aplicam as regras de propaganda eleitoral.
A determinação foi feita pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, no âmbito de uma investigação solicitada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A coligação petista acusa as plataformas de adotarem critérios que teriam beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa pela Presidência.
Segundo a representação, publicações favoráveis ao presidente teriam enfrentado restrições de alcance, enquanto conteúdos relacionados ao candidato do PL receberiam maior visibilidade.
Entre os episódios apresentados à Justiça está a retirada de um vídeo do projeto Revelando, publicado no Instagram e apresentado pelo cantor MC Cabelinho. O material fazia críticas a Flávio Bolsonaro e foi removido pela Meta sob a justificativa de uso excessivo de inteligência artificial.
A campanha de Lula também aponta supostas dificuldades na distribuição de anúncios eleitorais. Para a coligação, os episódios levantam suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
Diante das denúncias, o TSE solicitou relatórios técnicos sobre os critérios adotados pelas empresas para recomendar publicações, distribuir anúncios, utilizar ferramentas de inteligência artificial e remover conteúdos políticos.
A decisão prevê multa diária de R$ 500 mil para cada empresa em caso de descumprimento injustificado da determinação.
A Meta nega ter interferido na disputa eleitoral ou favorecido qualquer candidatura. A empresa afirma que os problemas registrados decorreram de falhas técnicas e que suas regras são aplicadas aos diferentes candidatos.
A investigação deverá avaliar se houve irregularidades capazes de comprometer a igualdade de condições entre as campanhas. Até o momento, as acusações de favorecimento político não representam uma conclusão da Justiça Eleitoral.







